Arqueologia e BíbliaLição 10 · O Novo Testamento e a ArqueologiaSecção 1 de 28Ajuda
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(Imagem: Cavernas de Qumran)

Qumran

Embora não estejam diretamente relacionados com o período neotestamentário, os notáveis manuscritos descobertos nas grutas de Qumran, perto do Mar Morto, inscrevem-se naturalmente no quadro de um curso de arqueologia bíblica. Uma dissidência judaica – o essenismo – tinha-se instalado nesta região. Os seus membros davam muita importância às profecias de Isaías relativas à vinda do Messias. Um personagem, chamado o Mestre de Justiça, conhecido apenas através da literatura apocalíptica, ocupava um lugar importante no seu espírito. Parece que seguiram este Mestre de Justiça na rejeição da ordem estabelecida em Jerusalém.

No segundo século antes da nossa era, refugiaram-se no deserto da Judeia, perto do Mar Morto. Esperavam que o Messias se manifestasse primeiro nesse lugar, para aí viver num isolamento monástico.

Os textos que descrevem as suas crenças religiosas específicas são interessantes, mas foram, sobretudo as centenas de manuscritos, cópias de livros bíblicos que datam do século I e II a.C., que atraíram a atenção.

Encontram-se cópias completas, parciais ou fragmentárias de todos os livros do Antigo Testamento, com exceção do livro de Ester. Antes desta descoberta, os cientistas duvidavam seriamente da fiabilidade da transmissão dos textos bíblicos, já que estavam convencidos de que séculos de cópias sucessivas tinham alterado gravemente o texto. Os erros cometidos por uns copistas seriam repetidos por outros copistas, e pensava-se que, deste acumular de erros, o texto bíblico resultante sairia gravemente alterado quando comparado com os manuscritos originais.

É interessante assinalar que os manuscritos antigos encontrados em Qumran, e apenas alguns séculos mais recentes do que os originais, apresentam muito poucas diferenças em relação aos textos que utilizamos hoje. Isso demonstrou que o texto bíblico não sofreu praticamente nenhuma deformação. Podemos, portanto, ter confiança na sua integridade. O texto atual é um reflexo fiel do que os autores inspirados por Deus quiseram transmitir.